Depressão no Trabalho: Impactos e Estratégias para o Bem-Estar Organizacional
- RHEIS Consulting
- 21 de mai. de 2019
- 10 min de leitura
Atualizado: 11 de mar.
A empresa pode ter uma participação determinante na identificação e no auxílio ao tratamento contra a depressão no trabalho. Para isso, é importante a presença ativa do setor de RH, valorizando os seus profissionais e avaliando-os continuamente para que entendam o que se passa com eles e aprendam a melhor decisão para o caso.
Os casos de depressão no trabalho - e fora dele - são alarmantes:
No Brasil, cerca de 15,5% da população têm a doença, o que faz do país o campeão de casos na América Latina;
Ainda de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o transtorno mental será a enfermidade mais incapacitante mundialmente até 2020;
A OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima que anualmente 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por causa de depressão e ansiedade, custando à economia global quase 1 trilhão de dólares.
A mesma OMS já alertou também para o fato de que, até 2030, o distúrbio pode se tornar o mais comum do mundo inteiro.
Pesquisa mostra que 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental;
De acordo com os dados de 2024 da Previdência Social/BR, mostram que o país registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, dentre eles a depressão e ansiedade. Trata-se do maior número desde 2014.
Portanto, a saúde mental deve ser uma peça cada vez mais importante no quebra-cabeça de benefícios que uma organização tem a oferecer. E não apenas porque o tratamento humano pode ajudar nos índices de absenteísmo, engajamento e produtividade, mas porque mostra a preocupação genuína com a pessoa por trás do crachá.
A depressão também pode resultar, em seus casos mais graves, no suicídio, principalmente quando não diagnosticada e tratada. Anualmente, 800 mil casos de suicídio são registrados no mundo.
Daí, a importância em saber como identificar os sintomas de depressão no trabalho e o que fazer. Para isso, convidamos você a seguir com a leitura deste post, em que vamos apresentar uma série de medidas para ajudar os funcionários a lidar com a depressão no trabalho.
O que é a depressão?
Antes de começarmos a falar sobre a definição do que é a depressão, nós queremos pontuar o que não é depressão. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não se trata de frescura ou falta do que fazer, nem falta de Deus ou um momento de angústia. Trata-se de uma das doenças mais perigosas e silenciosas que o nosso século já viu.
Segundo o CID 10-F33, a depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração psiquiátrica crônica e recorrente que produz alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.
Acredito que a principal campanha ou conscientização que precisaríamos realizar com as pessoas é o entendimento de como, fisiologicamente, essa doença altera a vontade de viver das pessoas. A depressão no trabalho é um problema de saúde mental que pode ser desencadeado ou intensificado por fatores relacionados ao ambiente de trabalho.
1. Nem toda tristeza é depressão
Já começo esclarecendo que é de suma importância distinguirmos a tristeza patológica, daquela transitória provocada por algum acontecimento difícil e que fazem parte da vida de nós seres humanos, tais como: a morte de uma pessoa que amamos; perda de um emprego; traição de um namorado(a); morte de um bichinho de estimação; traição de um amigo e etc.
2. Tristeza momentânea
Todos esses eventos podem provocar tristezas que são naturalmente “absolvidas” com o tempo e fazem com que as pessoas sigam em frente mesmo que o peito ainda esteja sentindo.
A diferença é que, quando não há depressão, o cérebro consegue modular essa emoção negativa. Você pode estar triste, mas sabe que tem de ir trabalhar, toma um café, procura pensar coisas boas e segue adiante.
Se fizermos uma autoanálise ou analisarmos pessoas próximas a nós que já passaram por alguma situação citada acima, vamos perceber que sem a depressão, a tristeza vem seguida de uma superação.
3. Tristeza associada a depressão
Na depressão, a tristeza não cede e não importa o motivo, ela não dá trégua mesmo que não haja uma causa aparente. O primeiro a ser atingido é o humor que permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias, as vezes por meses ou anos.
O interesse pelas atividades que antes davam prazer já não significam mais, o indivíduo perde todas as perspectivas e a única coisa que ele quer é ficar quieto, no “escuro”, sozinho. Obviamente, esses sintomas vai depender bastante do grau de depressão em que ele enfrenta. Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.
Alguns dados sobre a depressão
Novamente de acordo com a Organização Mundial da Saúde a depressão é a principal causa de doenças e deficiências no mundo inteiro. Uma pesquisa em 2017 apontou que há mais de 322 milhões de pessoas que vivem com a patologia.
Outro problema que a entidade aponta é o não reconhecimento da depressão como uma doença. Muitas vezes, a depressão é encarada como um estado passageiro de tristeza e isso dificulta a busca por ajuda médica por quem demonstra os sintomas. Quem sofre com depressão se sente inseguro para pedir ajuda e isso só faz com que a doença se agrave cada vez mais.
Além disso, o investimento em políticas públicas voltadas para o tratamento de doenças como a depressão é relativamente baixo. Na América, a estimativa é de 2% do orçamento da saúde é destinado ao tratamento destas doenças.
Sintomas da depressão no trabalho: como identificar
Especialistas de RH devem se atentar às mudanças comportamentais dos seus colaboradores, sejam elas em curto, médio ou longo prazo. Para isso, as suas respectivas performances devem ser monitoradas — a partir de avaliações de desempenho — para que essas transformações, bruscas ou não, sejam percebidas.
As causas são diversas. Entre elas uma das possíveis causas da depressão relacionada ao ambiente profissional diz respeito a desempenhar uma tarefa da qual o colaborador não se sente preparado ou capaz de atender a demanda. As situações adversas no trabalho podem ter grande influência no quadro depressivo.
Leia também: Saiba identificar fatores que podem causar depressão no trabalho. (Revista Você S/A)
Além disso, é importante que a sua equipe possa se qualificar a respeito da identificação dos sintomas comuns da depressão no trabalho — e que se estendem para fora do ambiente corporativo, claro, como:
Fadiga: Sensação constante de cansaço físico e mental, mesmo após períodos de descanso.
Insatisfação crônica: Descontentamento persistente com a vida ou o trabalho, sem causas claras ou específicas.
Picos de alegria: Momentos breves e intensos de felicidade, seguidos rapidamente por queda no humor.
Indecisão: Dificuldade em tomar decisões, mesmo para questões simples, devido à falta de confiança ou clareza.
Introspecção: Tendência a se isolar e focar excessivamente nos próprios pensamentos, muitas vezes negativos.
Oscilações entre culpa e baixa autoestima: Alternância entre sentimentos intensos de culpa e desvalorização pessoal.
Perda de interesse: Desmotivação para atividades que antes eram prazerosas ou importantes.
Perda de prazer: Incapacidade de sentir alegria ou satisfação em qualquer aspecto da vida.
Distúrbios do sono ou apetite: Alterações significativas, como insônia, sono excessivo, perda ou ganho de apetite.
Leia também: O seu Trabalho te Deixa Deprimido? (Revista Você S/A).
Vale aprender também como os colaboradores podem abordar e se relacionar com outros funcionários. Afinal de contas, nem todos querem se abrir sobre o assunto, e todo cuidado é exigido para uma boa interação com o profissional, assim, ele aceitará a ajuda necessária.
Capacite os gestores
Além dos profissionais de RH, os gestores têm um papel importante em identificar e prevenir a depressão no trabalho. Primeiramente, porque eles são o contato mais próximo do profissional abalado psicologicamente — além dos seus colegas de trabalho mais próximos.
E também porque os líderes podem estar mais por dentro dessas mudanças abruptas de comportamento ou performance com mais facilidade e que são os indicativos de que algo pode estar errado.
Para tanto, vale a pena investir o tempo dos seus especialistas em capacitar os líderes com as ferramentas necessárias para o suporte adequado aos funcionários. Isso pode ser feito por meio de:
Sessões de treinamento: Capacitar líderes por meio de treinamentos estruturados permite que eles compreendam como identificar sinais de sofrimento emocional, como agir em situações delicadas e como oferecer suporte adequado aos funcionários, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável.
Compartilhamento de informações a partir de conversas informais: Criar momentos de troca e interação espontânea ajuda a disseminar informações importantes sobre saúde mental de forma leve e acessível, promovendo maior conscientização e engajamento.
Estímulo ao diálogo aberto: Incentivar conversas transparentes sobre saúde mental reduz o estigma associado ao tema, encorajando os funcionários a buscarem ajuda e a se sentirem acolhidos ao expressarem suas dificuldades.
Com a educação a respeito das realidades sobre a depressão no trabalho, os funcionários podem contribuir com a manutenção de um ambiente favorável, e apoiar quem quer que esteja com dificuldades.
Como prevenir a depressão no trabalho
A depressão no ambiente de trabalho é um desafio que exige atenção e ações estratégicas para criar um ambiente saudável e produtivo. Prevenir esse problema não apenas melhora o bem-estar dos colaboradores, mas também impacta positivamente a produtividade e o clima organizacional.
Confira as principais estratégias para prevenção:
1. Autoconhecimento
O autoconhecimento é uma ferramenta essencial para lidar com a depressão, complementando tratamentos médicos e psicológicos. Ele permite que a pessoa identifique gatilhos emocionais, como situações estressantes ou padrões de pensamento negativos, possibilitando estratégias mais eficazes para enfrentá-los. Além disso, o autoconhecimento ajuda a promover hábitos saudáveis, como melhorar a rotina de sono, praticar exercícios e encontrar formas de relaxar.
Compreender as próprias emoções também contribui para reduzir sentimentos de culpa e fracasso, comuns na depressão, fortalecendo o indivíduo emocionalmente.
Ao conhecer melhor suas necessidades e limites, a pessoa pode estabelecer metas realistas, encontrar propósito na vida e comunicar suas demandas de maneira mais clara a amigos, familiares ou profissionais de saúde.
No entanto, é importante lembrar que, apesar de ser uma ferramenta valiosa, o autoconhecimento não substitui o tratamento profissional. Em casos graves de depressão, o acompanhamento de psicólogos ou psiquiatras é essencial para garantir uma abordagem adequada e eficaz.
2. Proporcione um local de trabalho seguro
Transformar o ambiente de trabalho em um local que estimule vibrações positivas e sensações relaxantes é um passo essencial para manter o bem-estar e o humor das pessoas. Além disso, é fundamental garantir que o espaço seja livre de toxicidade, como assédio, bullying ou qualquer forma de intolerância que possa desencadear casos de depressão.
Líderes têm um papel crucial nesse processo. A maneira como se relacionam com os profissionais influencia diretamente o clima organizacional. Por isso, treinamentos e conscientização sobre saúde mental para gestores podem ajudar a prevenir comportamentos que levem ao estresse, ansiedade e depressão.
3. Crie uma rotina flexível para os colaboradores
Uma rotina mais flexível é uma das formas mais eficazes de combater a depressão no trabalho. Isso pode incluir:
Estabelecer dias de home office para reduzir o estresse do deslocamento;
Programas de bem-estar que incentivem atividades físicas, meditação ou práticas relaxantes;
Horários de trabalho ajustáveis para acomodar necessidades pessoais e profissionais.
Essas ações ajudam a criar uma cultura de valorização do profissional, estimulando conversas abertas e incentivando os colaboradores a buscar auxílio profissional quando necessário.
4. Incentive a comunicação aberta e empática
Criar canais de comunicação onde os colaboradores possam expressar suas preocupações é essencial para a prevenção da depressão. Práticas como escuta ativa, empatia e ausência de julgamento são fundamentais para construir um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para compartilhar seus desafios.
Além disso, o feedback regular e construtivo, que reconheça os esforços dos colaboradores, promove um clima de valorização e pertencimento, reduzindo sentimentos de desamparo ou frustração.
5. Disponibilize apoio especializado
Embora o RH tenha um papel importante na identificação de sinais de depressão, o tratamento deve ser conduzido por profissionais qualificados. Por isso:
Evite transformar conversas com o RH em sessões terapêuticas;
Direcione os colaboradores para psicólogos, psiquiatras ou programas de assistência;
Incentive a utilização de benefícios como planos de saúde que ofereçam suporte psicológico.
Essas medidas garantem que o funcionário receba a ajuda necessária para reorganizar seu comportamento e melhorar sua saúde mental.
6. Promova equilíbrio entre vida pessoal e profissional
Estimule o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ao:
Respeitar as pausas durante o expediente;
Reduzir horas extras desnecessárias;
Promover campanhas de conscientização sobre autocuidado.
Colaboradores com uma rotina equilibrada tendem a apresentar menos sinais de estresse e são mais produtivos.
7. Ofereça espaços de relaxamento e bem-estar
Investir em espaços dedicados ao relaxamento, como salas de descanso, meditação ou lazer, pode ajudar a aliviar momentos de estresse durante o dia. Esses espaços contribuem para uma atmosfera mais leve e acolhedora no trabalho.
8. Monitore indicadores de saúde mental
Realize pesquisas de clima organizacional e bem-estar regularmente para identificar áreas de preocupação relacionadas à saúde mental. Essa análise permite à empresa adotar medidas preventivas e corretivas rapidamente, evitando problemas maiores.
Leia também em Boreout e Burnout: Saiba lidar com essas Síndromes.
Conclusão
A prevenção da depressão no trabalho requer um esforço coletivo entre líderes, colaboradores e a organização como um todo. Criar um ambiente seguro, flexível e empático, além de oferecer apoio especializado, é fundamental para promover a saúde mental no trabalho e garantir um espaço produtivo e saudável para todos.
A RHEIS Consulting foca na valorização da dimensão humana nas organizações, impulsionando o desenvolvimento pessoal de colaboradores, gestores e executivos. Entre em contato conosco!
Leia também: Na América Latina, Brasil é o país com maior prevalência de depressão. (GovBR).
Sugestão de livros:
Mentes depressivas: As três dimensões da doença do século (Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva);
Um tempo pra mim: 10 minutos diários de autocuidado mental (Ana Beatriz Barbosa Silva);
Uma biografia da depressão (Christian Dunker);
Gestão da emoção: Técnicas de coaching emocional para gerenciar a ansiedade (Augusto Cury);
Dá um tempo!: como encontrar limite em um mundo sem limites (Izabella Camargo);
Não Acredite em Tudo Que Você Sente: Identifique seus Esquemas Emocionais e Liberte-se da Ansiedade e da Depressão (Robert L. Leahy);
Não Começou com Você: Como o Trauma Familiar Herdado nos Define e Como dar um fim a Esse Ciclo (Mark Wolynn);
Felicidade autêntica (Nova edição): Use a psicologia positiva para alcançar todo seu potencial (Martin E. P. Seligman);
Flow (Edição revista e atualizada): A psicologia do alto desempenho e da felicidade (Mihaly Csikszentmihalyi);
Flow – Guia prático: Como encontrar o foco ideal no trabalho e na vida (Mihaly Csikszentmihalyi);
Em Busca De Sentido: Um psicólogo no campo de concentração (Viktor E. Frankl);
O demônio do meio-dia (Andrew Solomon).
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